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As coisas grandes começam sempre pelos motivos mais pequenos. A história do restaurante "Comida de Santo" começa com um chupa-chupa.
A filha de Antonio José Pinto Coelho estava longe de saber que os seus insistentes pedidos por um chupa-chupa iriam modificar definitivamente a vida do pai. Com três anos apenas, era uma inocente culpada. E foi um pai solicito e descontraído que atravessou a Calçada Engenheiro Miguel Pais, em Lisboa, em busca do chupa-chupa desejado. Encontrou-o numa mercearia, no nº 39. E terá gostado tanto do sítio que, quando de lá saiu, já tinha fixado o preço do que iria ser o futuro "Comida de Santo". Estávamos em 1980.
A sua formação hoteleira (gerente) garantia desde logo um empreendimento pensado e de qualidade; Mas Tozé Pinto Coelho (é assim que os amigos o conhecem) queria mais - um restaurante especializado em comida Brasileira. A palavra é dele: "Nessa altura eu viajava muito para o Brasil, e sempre gostei muito da comida Brasileira - sobretudo a Baiana. Resolvi ir para o Brasil, aprender a cozinhar os pratos de lá". E foi mesmo. Ofereceu-se em vários restaurantes para trabalhar de graça nas cozinhas: "Só queria aprender, mais nada. Claro que os donos dos restaurantes desconfiavam - um Português, e ainda por cima de graça..." Até que no restaurante "Bargaço", ainda hoje considerado um dos melhores do Brasil, consegui o que pretendia: as coincidências não acontecem por acaso, e ao ver um Português entrar-lhe pelo restaurante dentro, o proprietário, Leonel Rocha perguntou-lhe logo de que zona de Portugal era. Nem de propósito - era conterrâneo do gerente e do irmão, com quem tinha estudado. Foi o princípio de uma aprendizagem que o dono do "Comida de Santo" ainda preza e mantém: "Quando preciso de alguma coisa, um ingrediente, ele manda-me. Quando vou a Salvador, vou sempre lá, e recomendo o "Bargaço" a toda a gente".
A lição foi muito bem aprendida e passada aos cozinheiros do "Comida de santo". Ninguém fica indiferente às muquecas de camarão, feijoadas ou vatapás que o restaurante oferece.
Pouco tempo depois de abrir as portas, toda a Lisboa conhecia aquele restaurante Brasileiro perto do Príncipe Real. A casa começou-se a encher-se da moda, dos jornais, da política, da televisão, do desporto. A expressão "vamos ao Brasileiro" ou "vamos ao Tozé" começou a generalizar-se. O restaurante impôs-se discreta e irreversivelmente, e pelas melhores razões: a comida e o ambiente.
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